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Metro 28 de ABRIL de 2006



Metro Londres, Reino Unido 28/ABRIL/2006

Por Keith Watson

NÓ***** [cinco estrelas]

A Deborah Colker, do Brasil, não é mulher de correr de um desafio. Trabalhos passados tem a visto construir uma roda-gigante e até uma casa inteira no palco do Barbican, de modo que uma produção que envolva uma floresta de 120 cipós de corda e uma caixa transparente não bastaria para intimidá-la. E em “NÓ”, ela mais uma vez prova ser a mestra do contra-regra, amarrando seus dançarinos em intricadas variações do tema do bondage que, em mãos menos hábeis, poderiam ficar desajeitadas e com aparência pesada. Mas a Colker extrai uma elegância brutal destas imagens de cativeiro.

A força motriz de “NÓ” é a natureza do desejo humano e suas condições, que podem tanto ser libertadoras, quanto debilitantes. Então, Colker escolhe as cordas como um símbolo potente, uma hábil metáfora para as amarras que nos atam as nossas libidos rebeldes. Este ponto é sublinhado pela trilha sonora de Berna Ceppas cheia de ritmos latinos sensuais e, ainda, por figurinos que convenientemente assinalam, em vermelho gritante, as áreas-alvo genitais. Apesar disto tudo, temos que ficar nos lembrando que este é um espeteaculo que fala do desejo, porque há tão pouco dele sobre o palco.

Os dançarinos, até o último deles um acrobata brilhante, devidamente se contorcem, serpenteiam e contraem em nós e novelos de pele, mas aquela fagulha de tesão, de atração sexual, que poderia acender este fogo todo, permanece elusivo, para a nossa frustração. “NÓ”, apesar de todo o movimento hipnótico e imagens deslumbrantes, fica tão amarrado à exploração da idéia do desejo, que - oops - esquece de ser sexy.

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