The Guardian 27 de ABRIL de 2006
The Guardian Londres, Reino Unido 27/ABRIL/2006 Por Judith Mackrell
Deborah Dance Company - Teatro Barbican, Londres ***** [cinco estrelas]
O trabalho de Deborah Colker sempre foi proclamado como sexy e, ricamente produzido, com atletismo radiante e uma cenografia deslumbrante, apesar de um impacto visual hipnótico e arrebatador, seu conteúdo invariavelmente nos deixa desapontados. Esta pode ser a razão pela qual a Colker está usando seu último show, “NÓ”, para sondar debaixo de sua própria imagem, pensando o sexo como um drama de conflito psicológico e instinto puro.
O espetáculo abre num palco dependurado de cordas, mas a Colker logo torna claro que elas não lançarão a coreografia em espa?os abertos e claros e v?os a?reos, mas no terreno mais sombrio do bondage e da amea?a sutil. Conforme os dan?arinos arriscam suas manobras enxutas e sagazes, sua marca registrada, enroscam-se nas cordas, muitas vezes literalmente amarrando uns aos outros. Duetos s?o feitos com bra?os presos ou pernas atadas e, mesmo quando os dan?arinos n?o est?o literalmente no cabresto, Colker for?a seus corpos em s? ries de movimentos retesados e contorcidos que evocam o drama fervente da depend?ncia e do desejo.
A primeira vista, muitas destas imagens s?o interessantes e perturbadoras. Conforme a corda morde a carne do dan? arino, sinais de dor e prazer, poder e submiss?o, beleza e fei?ra, deliberadamente se confundem. Por?m, n?o obstante o qu?o seriamente a Colker deseje que levemos seu material a s?rio, ela n?o parece capaz de focalizar e desenvolver suas id?ias para chegar a qualquer conclus?o. E, apesar da segunda metade do espet?culo ter uma apar? ncia dramaticamente diferente da primeira, tamb?m segue uma id?ntica trajet?ria de retornos decrescentes.
Aqui, o palco ? dominado por um cubo de Perspex sob luz escarlate, inspirado nos inferninhos de Amsterd? e, conforme os dan?arinos ora o contornem, ora caiam na sua armadilha, o ardente desejo da primeira metade cede lugar a um voyeurismo mais distanciado. A Colker ? muito h?bil ao evocar a id?ia da superf?cie como barreira, ao imprensar seus dan?arinos - aqui por narcisismo, ali por frustra??o - contra as paredes transparentes do cubo. Mais uma vez, por?m, imagens que abrem uma cena com grande impacto visual v?o se esvaziando. Ela tem id?ias e g?s para dar e vender, mas nem mesmo em ?N??, ela ainda n?o achou uma forma de amarr?-las bem em uma estrutura s?lida.






