Agência EFE 06 de MAIO de 2005
Agência EFE
Wolfsbourg, Alemanha
06/MAIO/2005
Por Guillem Sans
BRASILEIRA COLKER ESTRÉIA UMA SENSUAL MONTAGEM EM CENTRAL ELÉTRICA
Uma antiga central elétrica foi o cenário escolhido pela coreógrafa brasileira Deborah Colker para a estréia mundial de ”Nó”, a sua última montagem, que despertou ontem à noite um grande entusiasmo no público da cidade automobilística de Wolfsbourg (Norte da Alemanha).
“Nó”, que pode ser visto ainda até o próximo domingo, ressalta o sexo e o desejo extremo em uma primeira parte, na qual os 16 bailarinos se desenvolvem em um mar de cordas penduradas do teto, primeiro ao ritmo de música eletrônica e, depois, ao compasso de um concerto de piano de Maurice Ravel.
A segunda parte transmite uma sensação de sensualidade muito mais suave, como se os bailarinos, depois de terem se libertado das amarras que os mantinham anteriormente sob uma pressão de alta voltagem, se entregassem agora a uma dança de liberação mais elegante, ao redor de um cubo de paredes transparentes.
O conjunto não deixou nada em mãos da improvisação e executou os movimentos concebidos por Colker com precisão milimétrica e a própria coreógrafa foi muito ovacionada pela sua atuação como solista em fragmentos da segunda parte que concluiu com os aplausos entusiasmados do público de pé.
“Amo este cenário, ele me inspirou muito”, afirmou Colker após a atuação falando sobre a central elétrica, um gigantesco espaço de antigas turbinas que deveriam estar em um museu, adaptado para o cenário graças a uma remodelação que lembra algum clube tecno de Berlim de dez anos atrás.
A coreógrafa, de 43 anos, explicou depois para EFE que concebeu a montagem pensando na idéia de que “todos os dias estamos atados por nós que depois desamarramos”.
É o primeiro espetáculo que estréia fora de Brasil, na distante Europa e sem seus amigos mais próximos e, principalmente, “realmente o mais difícil” dos seis que tem em seu currículo, apesar de ser “mais pop” que os outros em sua estética, especialmente pela cor vermelho berrante da decoração da segunda parte.
Trata-se, além disso, da primeira co-produção do festival “Movimentos” com uma companhia de dança estrangeira, um projeto para o qual Colker dedicou ultimamente todas as suas energias, chegando ao ponto de ter deixado em suspense todas as suas outras idéias e encomendas.
Dentre elas, destaca-se o espetáculo de dança chamado “Maracanã” que a coreógrafa criará para o Mundial de Futebol da Alemanha 2006 e sobre o qual não quis adiantar detalhes, salvo que na próxima segunda-feira iniciará uma seleção de candidatos em Colônia (oeste da Alemanha).
Wolfsbourg acolheu a estréia de “Nó” na terceira edição do festival internacional de dança “Movimentos” que, este ano, traz para a cidade sede da Volkswagen companhias como Montalvo-Hervieu, a de Tero Saarinen e a de Dave St-Pierre.
A cidade deve a sua existência à fábrica de automóveis e os seus residentes têm a sorte de desfrutar de um programa cultural que pouco tem a invejar de cidades maiores como Hannover, a vizinha capital baixo-saxã.
A Galeria Nacional de Retratos de Londres, por exemplo, escolheu o museu de Wolfsbourg para exibir na Alemanha, até o próximo dia 24 de julho, uma retrospectiva do fotógrafo Cecil Beaton.
O festival de dança no qual Deborah Colker colheu o que poderia se transformar em um dos maiores sucessos se estende até o próximo dia 29 e já foram vendidos quase todos os 21.000 ingressos disponíveis para todos os espetáculos segundo a sua diretora artística. Maria Schneider.






