Badisches Tagblatt 17 de JULHO de 2004
Soddeutsche Zeitung 104 Berlim, Alemanha 02/MAIO/2005 Por Arnd Wesemann
UM BALÉ DE BONDAGE
Em Berlim eles n?o se encontraram por pouco: o melhor mestre de “bondage” do Jap?o, Osada Steve, e a core?grafa brasileira Deborah Colker, que h? dois anos atr?s ensaiou seu in?cuo “Ela” na Komischen Oper, ao som de G?recki e Ravel. Deborah Colker corria pelos clubes berlinenses. Enquanto isso, Osada Steve, editor de uma revista de T?quio, estava de p?, com seu longo manto, num campo em K?penick, e mostrava a uma equipe de filmagem como se amarra uma mulher de tal maneira, que s? precisamos puxar um ?nico fio vermelho: logo o indefeso corpo atado dan?a por si s?. Cordas caem, n?s se soltam, a mulher artisticamente atada roda como uma boneca de corda. Dependurada numa torre de bambu, ela se move com a gra?a de uma boneca. Tudo isso n?o tem mais quase nada a ver com as conhecidas brincadeiras de amarrar dos jogos de mocinho e bandido. A partir de fios e cordas o rei do Shibari conjura uma coreografia do desejo, que n?o encara mais o sexo como pr?tica da procria??o, mas como o bote de uma aranha de teia.
Brincadeira de trepa-trepa na corda
Deborah Colker queria um dia fazer um bal? de “bondage”. Mas quem lhe ensinaria a arte? Ao som de G?recki e Ravel criou “N?”, no Festival de Movimentos na cidade automobil?stica Wolfsburg. A brincadeira sa?da do est?dio de domin? ficou s?ria: uma arte para toda a fam?lia. 120 cordas caem do urdimento; enroladas nela est? uma bela mulher, que atua ativamente na brincadeira de trepa-trepa nas cordas. Colker quer sugerir que a corda move o corpo. Mas em geral ? o contr?rio, as bailarinas movem a corda. Nenhuma “bondage” como arte do mestre dos n?s, para isso s?o necess?rio anos de treinamento. Assim balan?am ent?o dezessete encantadores bailarinos debaixo de uma enorme ?rvore de n?s, rodam piruetas no ar e dan?am Tarzan. No Brasil parece que esses cip?s de palco est?o muito na moda. Cristina Castro, de Salvador, na Bahia, por exemplo, faz escalar fios de sisal. Em Colker cai do urdimento uma enorme peruca. O cabelo, a algema, a corda - as associa??es se multiplicam alegremente pelo floresta psicol?gica. Dan?a-se com beleza ao som de flautas de Pan, que Berna Ceppas tran?ou ? m?sica europ?ia como florzinhas no cabelo. Gostar?amos de olhar de passagem essas coisas in?cuas, preferir?amos encarar os passos dos bailarinos, vestindo a ?ltima moda de praia do designer Alexandre Herchcovitch, porque ali o sexo est? marcado de vermelho. Mas eles dan?am t?o assombrosamente bem, que ficamos atentos como uma aranha ao entardecer. H? maravilhosas combina??es de passos e brincadeiras com as cordas, dan?as aos pares nunca dantes vistas. Mas tudo ? apenas indicado, nada prende. Colker liga suas dan?as de maneira solta, como botinas de cadar?o no alto ver?o. Quando ela mesma entra em cena, no final, numa caixa de vidro, e quer mostrar “como a beleza caiu na armadilha”, cremos que ela prendeu, amarrou o desejo; vislumbramos a fascina??o da “bondage”. Mas o irreprim?vel bando de bailarinos voa como uma nuvem de moscas de tempestade atrav?s da teia de aranha.






