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Gazeta Mercantil - Gazeta do Rio 01 de OUTUBRO de 1999



Gazeta Mercantil - Gazeta do Rio
Rio de Janeiro, Brasil
01/OUTUBRO/1999
Por Mônica Riani

DEBORAH COLKER ESTRÉIA CASA

Aulas diárias de balé clássico, busca insana pela precisão e vigor de sobra formam a alvenaria de Casa, novo espetáculo da companhia carioca Deborah Colker, que vem sendo construído há um ano e meio. Será o quinto trabalho, após Vulcão, Velox, Mix (união dos dois primeiros, produzido para a Bienal de Dança de Lyon, em 1997) e Rota, coreografias que marcam os cinco anos do afinado grupo - que estreou em 1994, abrindo uma apresentação dos americanos do Momix, no Theatro Municipal.

A esperada estréia será nesta sexta-feira no Teatro João Caetano, após a primeira parada no Sul do País, em agosto. No palco, uma casa de três andares, medindo sete metros de altura e pesando nada menos que seis toneladas, com estrutura de ferro e madeira, projetada pelo cenógrafo gringo Cardia, será a base de toda a coreografia. Quinze bailarinos ocuparão cada cômodo da casa cenográfica para mostrar o cotidiano de um lar-doce-lar, com atividades como comer, dormir, cozinhar, ver televisão, não fazer nada, sonhar. Entre os vários momentos trepidantes, estão movimentos dançados nos três andares, simultaneamente, sem os bailarinos se verem.

Para tornar subida e descida mais velozes, foram instalados dois corrimões com os utilizados em treinamentos do Corpo de Bombeiros. “Acho que é o espetáculo mais sofisticado da companhia do ponto de vista técnico. Temos aulas com três professores, sessões de balé clássico diariamente e misturamos vigor com desenho e precisão técnica. Precisamos obedecer a uma sincronia absurda”, diz Deborah, que atuou no grupo Coringa, nos anos 70, é pianista, e foi jogadora de vôlei.

Rigor ímpar e técnica apurada contaram, e muito, para atrair cerca de seis mil pessoas na primeira temporada do grupo em Londres, em maio. Foram seis dias no Peacock Theatre, após apresentações na Alemanha. “Londres é uma vitrine fantástica. O manager da Petrobras Distribuidora ficou encantado. Havia um certo ceticismo da cultura servir como alavanca para negócios, mas acho que deve ter caído por terra. Conseguimos doze críticas positivas em seis dias de apresentação, sendo que, no último, estávamos lotados”, lembra o produtor João Elias, casado com Deborah há sete anos e hoje diretor comercial da companhia.

Desde 1995 a BR-Distribuidora investe em patrocínio no grupo e, em 1998, firmou contrato por três anos consecutivos. “A viagem foi possível apenas por termos um patrocinador, o custo foi de cerca de R$ 300 mil”, diz Elias, atribuindo o orçamento, principalmente, ao transporte dos mirabolantes cenários que têm papel fundamental nos espetáculos do grupo. “Mas também fizemos uma média alternativa, além de um encontro com a imprensa inglesa em fevereiro. Foi tudo muito bem articulado”, diz ele, citando como retorno matérias em jornais como o The Independent e Evening Standard.

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