The Business Times 21 de JUNHO de 2000
The Business Times
Cingapura, Cingapura
21/JUNHO/2000
Por Felicia Yap
A COMPANHIA DE DANÇA DEBORAH COLKER SIMPLESMENTE TE DEIXA SEM FÔLEGO
Direto das ensolaradas praias do Rio de Janeiro, a Companhia de Dança Deborah Colker certamente “arrasou” a platéia no Kallang Theatre, com Rota, uma mistura visualmente espetacular de dança contemporânea, ginástica e artes circenses. Assim que as cortinas subiram, foi servida a platéia uma combinação extremamente atlética, apresentada por uma companhia de vigorosos, flexíveis e disciplinados bailarinos.
A energia eclética deste sucesso de audiência reflete a experiência variada da coreógrafa e diretora artística Deborah Colker. Ex-pianista e jogadora profissional de vôlei, ela descreve sua obra, que estreou em 1997, como “linhas, círculos, mapas - a ocupação e exploração do espaço”. E este é exatamente o tema de Rota.
Apesar da dança ter sido bastante encoberta por feitos acrobáticos, a mágica estava na acessibilidade de Rota. O primeiro ato começou com uma trilha eminentemente dançante e ao fundo, um enorme molde de costura em preto e branco indicava uma intricada matriz.
Além de embutir uma abundância de malícia bem-humorada neste energizado espetáculo, Deborah incorpora diversas séries de ginástica e malhação no espaço - remar, rolar, correr e pular - todas executadas com movimentos intricados. Vestindo respectivamente trajes esporte e vestidos esvoaçantes, os 16 homens e mulheres (incluindo a própria Deborah) pelejaram através de uma sequencia de movimentos alternativos adoravelmente divididos por gestos normais do cotidiano - alisar o cabelo, coçar o corpo e até estapear o rosto.
Para o espanto do público, Deborah fez três homens se inclinarem para a frente em preciso equilíbrio, apoiados apenas pelos pés, depois deixou duas mulheres se enroscarem nos pés de um dos bailarinos, e ele saiu batendo os pés com elas ainda grudadas, como gigantescas botas.
Logo ficou óbvio, a partir das músicas fragmentadas, que Colker presta apenas uma rápida atenção é música, rapidamente pulando dois séculos, de Mozart a Aphex Twin e The Chemical Brothers. Mas para nosso desapontamento, não houve mudança no pulso da dança, fazendo com que a primeira parte passasse por nós sem impacto algum.
Inspirada pela idéia de caminhar no espaço sem gravidade, Gravidade, no segundo ato, mostrou ser uma mudança dramática. Os bailarinos, com figurinos simples e chiques, de Yamê Reis, flutuavam lentamente como se em transe, pisando na névoa azul a sua volta com movimentos prolongados. Também levaram seus corpos a limites físicos, traduzindo-se em esculturas de ponta-cabeça e equilibrando-se na cabeça quase sem esforço.
Mas nada poderia ter sido mais espantoso que o final - Roda, inspirado por parques de diversão e a rotação da terra, foi um clímax como nenhum outro. Emoldurados por escadas verticais, o coup de theatre de Deborah - uma impressionante roda gigante de 1,5 toneladas (direto da gaiola do hamster) - serviu de peça central em torno da qual os bailarinos se moviam com a graça estilística de artistas de trapézio.
Sem qualquer rede de proteção no playground, eles andavam na roda com um ritmo atordoante, deslizavam a sua volta, contorciam-se em sua circunferência e contrapesavam uns aos outros, sem esforço, para frear a rotação. Até mesmo pulavam da roda de alturas vertiginosas, aterrissando com graça felina. A certa altura, o público segurou a respiração, quando uma bailarina, apoiada por apenas um pé, se dependurou horizontalmente da escada, numa altura considerável.
Então chegou o final - um momento de cair o queixo, fascinantemente sugerido nas imagens dos anúncios. Acompanhados por uma estimulante trilha de Johann Strauss, oito bailarinos, enroscados nos raios, se dependuravam em uma roda em movimento, criando um efeito mais explosivo que um show pirotécnico de larga escala.
Talvez Deborah quisesse brincar conosco; as cortinas fecharam a cena à nossa frente de maneira muito abrupta. Mesmo assim, foi um final espetacularmente visual numa apresentação que levou partes da platéia a aplaudir de pé.
Só então pudemos respirar . . .






