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The Dance Insider 17 de FEVEREIRO de 2000



The Dance Insider
Nova Iorque, EUA
17/FEVEREIRO/2000
Por Albert Lee

OH, ROTA DE DANÇA - Carrossel Colker no Joyce

Deborah Colker, a core?grafa do Rio de Janeiro, nos faz lembrar Pilobolus, ou seja, ela ? popular, sendo desprezada pelos esnobes que desconfiam de seus atributos teatrais e deliberadamente divertidos, e que provavelmente nunca deram a devida import?ncia aos playgrounds. Ela mesma admitiu isso para Valerie Gladstone na entrevista para o “Times” no domingo passado “por que fazer dan?a se n?o for para agradar a todos?” Eu adoro essa capacidade filos?fica. A dan?a precisa atrair todos os f?s poss?veis - exibicionismo n?o ? crime - e Deborah Colker n?o compromete as id?ias que norteiam o impacto que ela d? a seu p?blico. “Rota”, seu novo e t?o falado trabalho formado por quinze bailarinos da Companhia que leva o seu nome, chegou no Teatro Joyce na quarta-feira e fica at? domingo. As crian?as adoram e os adultos tamb?m. O trabalho tem a dura??o de noventa minutos e est? dividido em duas partes com um intervalo. Adorei a primeira parte. ? como se assistisse crian?as brincando em um playground. Os bailarinos passeiam, co?am as cabe?as, caem no ch?o, apoiam o queixo nos punhos, d?o tapas no rosto e tentam morder os p?s. Eles pulam nas costas uns dos outros, tapam os olhos uns dos outros, rodam seus parceiros em piruetas e batem uns nos outros. Desde a ilumina??o e m?sica (algo de Schubert ao grupo de m?sica eletr?nica Aphex Twin) d?o id?ia de est?mulo. Eu havia esquecido as sutis nuances de brincar - as loucuras e maldades, amizade, aborrecimento e inconst?ncia. ? uma t?nica a ser lembrada.

Como acontece num playground, h? bastante energia e pequenas explos?es de movimentos no palco, ligados a express?es longas apresentadas em harmonia; mas nunca ? confuso, pelo contr?rio, ? como se fosse uma s?rie de movimentos cin?ticos interligados, um seguido do outro.

Os bailarinos s?o lindos, esbeltos e atl?ticos, e t?m a capacidade de dar intensidade e simplicidade a cada movimento de bra?os e pernas. Sua linguagem ? cl?ssica, mas ? fascinante ver como ela a atualizou. Um movimento ? as vezes como se fosse um ponto de exclama??o, um “rond de jambe” como que tra?ando um c?rculo na areia, uma pirueta como um momento de emo??o ing?nua. Enfim, parece uma fantasiosa e maravilhosa obra de arte.

O segundo ato ? dividido em duas partes, intituladas Gravidade e Roda, que poderiam ser dois trabalhos diferentes. O primeiro, onde o cen?rio ? de Gringo Cardia, ? uma roda gigante emoldurada por escadas, montadas no meio de andaimes, e lembra um show de trap?zio. A? v?-se te uma ilumina??o de crep?sculo e neblina, com uma coreografia que ? agressiva e acrob?tica.

Gravidade engloba passos deliberados e lentos e proezas de desafios ? lei da gravidade: como um homem andando em ombros enfileirados, casais inclinando-se alternadamente em um ?ngulo de 45? e se posicionando de cabe?a para baixo. A roda ? a cena do trap?zio. Os bailarinos sobem pelos raios de uma roda de 6,5 metros que gira; eles se arrastam e se enroscam como se ela fosse a roda do dinheiro em “O Pre?o est? certo” e ent?o se penduram para o passeio. Assistir esses movimentos faz voc? ficar tenso e perplexo: ao mesmo tempo, bailarinos sobem as escadas e produzem formas inteligentes, contorcidas como quando se esticam perpendicularmente, e outros fazem um engenhoso “pas de deux” no solo; duvido, por?m, que algu?m estivesse prestando aten??o neles.

ato, a princ?pio, desperta uma rea??o ambivalente. Os bailarinos s?o vigorosos e visualmente surpreendentes, mas o movimento tem pouca profundidade e estrutura. Ent?o, lembrei-me de quando assisti o tempestuoso show argentino “De La Guarda” (ainda com grande sucesso no Daryl Roth Theater), e perguntei-me se haveria uma tradi??o de representa??es teatrais latino-americanas. Neste momento, coloquei as d?vidas de lado e me diverti.

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