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The Guardian 13 de MAIO de 1999



The Guardian
Londres, Inglaterra
13/MAIO/1999
Por Judith Mackrell

HARMONIAS CELESTIAIS

O Brasil pode fazer neg?cios com seus ex?ticos passistas de escolas de samba, mas tamb?m pode se orgulhar de uma vasta linha de bal? cl?ssico, algumas de dan?a moderna e de Deborah Colker, com sua inteligente e alegra “Rota”, que est? num n?vel de extrema sintonia com as tend?ncias internacionais da dan?a p?s-moderna.

Durante a primeira parte de “Rota”, os bailarinos se movem com agilidade, mostrando um belo e disciplinado f?sico atrav?s de uma s?rie de evolu??es de bal?, as quais s?o entremeadas de forma original por gestos e brincadeiras do cotidiano. Este artif?cio ? adorado por core?grafos de Boston a Berlim, e Deborah o faz com incr?vel mal?cia. Uma das bailarinas eleva o p?, como se preparando para um “rond de jambe”; ao inv?s disso ela coloca os dedos do p? na boca. Deborah combina movimentos de brincadeira com outros bailarinos desalinhando os cabelos com as m?os.

Ela faz com que duas bailarinas se enrosquem elegantemente nos p?s de um dan?arino para depois faz?-los andar no ritmo da m?sica com elas ainda grudadas, com se fossem enormes sapatos de Vivienne Westwood.

No meio disso tudo, Deborah introduz ainda bailarinos rolando no ch?o, como no Eurocrash, uma explos?o de berros e alguns movimentos esculturais de gin?sticas.

Tudo executado com perfei??o, com ilumina??o atraente e um figurino glamuroso. Contudo, o previs?vel da musicalidade n?o demora para diminuir o impacto. Apesar de seus feitos surfarem energeticamente por Mozart, The Chemical Brothers, Tangerine Dream e outros, o ritmo da dan?a muda pouco e a inteligente coreografia parece ficar sem vigor. Se “Rota” terminasse no primeiro ato, pensar?amos: “foi bom, mas j? vimos isso tudo antes”.

Ap?s o intervalo, nossos discretos sorrisos d?o lugar ? surpresa, pois a segunda parte de “Rota” ? dominada por um par de escadas e uma gigantesca roda em movimento, na qual os bailarinos retou?am com uma displicente gra?a de artista de circo - sem rede de seguran?a. No in?cio, eles andam de correrias em volta da roda como se fossem elegantes “hamsters”; ent?o a velocidade aumenta, enquanto eles se penduram em aparente equil?brio que desafia ? morte, saltam da roda de uma altura absurda, ou abra?am os raios com p?s ou m?os, de maneira a flutuar languidamente no espa?o como astronautas. At? um pequeno trecho do repetido Pachelbel - tocado enquanto os bailarinos giram numa celestial harmonia - soa com se fosse m?sica de esferas. O efeito final que Deborah d? ? roda gigante, com seis bailarinos dando saltos mortais nos raios da roda, ? de extasiar qualquer espectador. Quando as cortinas se fecham os aplausos do p?blico n?o s?o apenas um tributo ?s proezas extraordin?rias dos bailarinos, mas ? tamb?m o som de mil espectadores tentando respirar novamente.

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