Apoio: Ministério da Cultura
<< Voltar

The Independent 12 de MAIO de 1999



The Independent
Londres, Inglaterra
12/MAIO/1999
Por Nadine Meisner

BAILARINOS BRASILEIROS USAM MÚSICA PARA VOAR

Se você é do tipo que reclama de todas as exigências que lhe são feitas, seria bom ver os quatorze bailarinos da Companhia de Dança Deborah Colker. Eles pulam, dão saltos mortais e se penduram como moscas tontas num gigantesco ventilador surrealista. No entanto, parecem interessados e desembaraçados e, as vezes, displicentes. Talvez, nós também fizéssemos o mesmo, se morássemos na ensolarada e luxuriante cidade do Rio de Janeiro. Porém, eles são extremamente disciplinados e estão em ótima forma física, um pré-requisito óbvio para superar todos os limites atléticos impostos por Deborah Colker, que foi uma excelente jogadora de voleibol.

Hoje em dia, o velho palco não parece ser suficiente. Cordas para se pendurar e paredes para escalar se tornaram uma obrigação nas companhias de danças que nos visitam. Num show anterior, Deborah Colker utilizou uma parede enorme com pinos, onde os bailarinos escalavam. Agora, porém, ela tem um trunfo: uma roda gigante de seis metros e meio, que pesa uma tonelada e meia, no show intitulado “Rota”, criado em 1997 e que ela apresenta no Peacock Theatre de Londres. A aparelhagem é o clímax, onde os bailarinos se balançam como “hamsters” nas rodas de suas gaiolas.

“Rota”, segundo Deborah Colker, é a exploração do espaço em que vivemos; para provar sua tese, o primeiro ato se refere a coisas b?sicas, quando os bailarinos dan? am no ch?o como pessoas comuns, fazendo gestos corriqueiros, do tipo co?ar a cabe?a, dar tapas e empurr? es ou, ?s vezes, juntos em grupos harmoniosos ou com gestos fortes, n?o muito diferentes daqueles de gin?stica para manter-se em forma.

Na verdade, toda a coreografia do show ? mais gin?stica que dan?a. Na parte seguinte - “Gravidade” - inspirada na id?ia de leveza dos astronautas, os bailarinos flutuam em movimentos lentos, andam em meio a uma n?voa azul que os envolve, empertigam-se com ombros empinados e tomam outras formas. A? chegamos ao final com a “Roda”, inspirada em parque de divers?o e na rota??o da Terra. Os bailarinos podem ser vistos como artistas que se superam, ou seres humanos c?smicos que giram e viajam nos raios com precis?o, pois a roda est? em movimento e qualquer deslize afetar? sua velocidade e dire??o. Durante esse movimento, a valsa de Strauss ? tocada e uma fus?o musical sobrep?e-se a ru?dos de baleias, Mozart e outras tantas m?sicas.

T?dio n?o ? o caso, ao contr?rio, acessibilidade e divers?o est?o ligadas a uma perspic?cia m?gica das limita??es do f? sico; esta ? a raz?o pela qual “Rota” j? foi visto por mais de duzentas mil pessoas.

  • Digg
  • Sphinn
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Mixx
  • Google
  • TwitThis