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The Sunday Times - Dance 16 de MAIO de 1999



The Sunday Times - Dance
Londres, Inglaterra
16/MAIO/1999
Por David Dougill

UMA REVOLUÇÃO BRASILEIRA

Muito adequado - um show espetacular com uma roda gigante é o ponto alto do Turning World Festival.

Combinando brilhantemente dança moderna, ginástica e emoções de circo, a Companhia Brasileira de Dança Deborah Colker tem a fórmula mágica numa produção espetacular intitulada “Rota”, que estreou no Peacock Theatre de Londres semana passada, como parte do Turning World Festival que está ainda acontecendo.

A vigorosa e flexível Deborah, ex-jogadora de voleibol de um time do Rio de Janeiro, mantém sua animada companhia, fundada em 1993, em um pique de treinamento eclético e, se a julgarmos pelo show criado há dois anos atrás e atualmente excursionando pelo mundo, ela mantém sua companhia num nível de alta frequência de atividades físicas, Deborah explica que “Rota” “são linhas, círculos e mapas - a ocupação e exploração de espaço”. O primeiro ato, dividido em duas partes, tem um molde de vestido no chão e no pano de fundo que bem poderia ser um plano de vão; há bastantes vãos na coreografia.

As bailarinas começam usando vestidos de saias rodadas e botas de cano curto e os bailarinos, roupas de passeio. Nesse grande conjunto - muitos saltos e quedas - Deborah entremeia movimentos e gestos rotineiros com alisar os cabelos, dar tapas no rosto e coçar o nariz. A certa altura, uma procissão de bailarinos deixa o palco, inclinados para a frente e com as mãos tapando a boca como se fossem vomitar. Algumas brincadeiras parecem bem exageradas, talvez para lembrarem estridentes shows de rock para um público jovem, então, porque n?o? Mozart e Schubert aparecem inesperadamente nesta fusão musical.

A tendência muda no segundo ato que abre com “Gravidade”, quando dança um grupo de bailarinos vestidos sumariamente de branco, em um figurino sensual e chique, desenhado por Yamê Reis e fornecido pela Adidas. O palco é iluminado por uma névoa azul, e uma coreografia de movimentos lentos inspirada nos astronautas - como se estivessem num ambiente sem gravidade - é traduzida em movimentos feitos de cabeça para baixo e uns tantos outros equilíbrios.

Porém, o magnífico clímax é a Roda, cuja fotografia for vista em quase toda a publicidade da companhia e que antecipa o que está por vir. Mas, o lance teatral é uma roda gigante de seis metros e meio de diâmetro, pesando uma tonelada e meia, daquelas em que gostaríamos de brincar, se tivéssemos coragem, na qual os bailarinos de Deborah o fazem com brilhante esperteza em frações de segundo. Eles se enroscam nos raios, exploram toda circunferência, contrabalançam com seus pesos para controlar as paradas e movimentos, pulando e dando saltos mortais. Finalmente, oito bailarinos penduram-se com os corpos curvados, sugerindo cadeiras de uma roda gigante. Como fazem isso ao som da valsa de Johann Strauss, poderíamos dizer que seria uma roda gigante de Viena, apesar de Deborah explicar que foi na Disneylândia que ela se espirou. O efeito é maravilhoso e animado, mas quando ela para repentinamente, nós gostaríamos de ver mais; é uma astuta brincadeira.

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