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The Times - Arts 13 de MAIO de 1999



The Times - Arts
Londres, Inglaterra
13/MAIO/1999
Por Debra Craine

VOEM PARA O RIO

A brasileira Deborah Colker tem uma forma??o ecl?tica; pianista e ex-jogadora de voleibol (por dois anos fez parte da sele??o carioca) est?o entre seus mais variados atributos. Agora, ela ? reconhecida internacionalmente como core?grafa de sua companhia da dan?a, fundada no Rio de Janeiro em 1993. Ela estreou na Inglaterra esta semana, no Peacock Theatre de Londres, apresentando “Rota”, um trabalho que j? foi visto na Europa e Am?rica Latina por mais de duzentas mil pessoas. ? um contagiante trabalho teatral de dan?a, executado por treze bailarinos (incluindo Deborah), que confirma o talento brasileiro ao oferecer uma noite memor?vel aos aficionados por bal?.

Ela define “Rota” como “uma a??o em busca do divertimento”, e isto ? o que realmente importa no seu trabalho. Deborah procura movimento em tudo - no est?dio de bal?, na gin?stica, no circo e nas ruas - e n?o determina valor hier?rquico para nenhum deles; o movimento ? b?sico e divertido.

Ao iniciar “Rota”, os bailarinos pulam atrevidamente ao som de Mozart, onde os passos de bal? cl?ssico s?o refor?ados e transformados em gestos corriqueiros. Deborah adora seguir o r?tmo; a cada nota, ela combina um passo distinto ou movimento simples, como co?ar a cabe?a. O tempo de cada m?sica ? curto, ent?o temos presentes duzentos anos de m?sica que come?am em Mozart, se encontra com Aphex Twin, Chemical Brothers, Pachelbel, Johann Strauss e Tangerine Dream - a lista ? longa, se tivermos que mencionar todas.

O tipo de coreografia de Deborah ? abrangente; pular, rolar, puxar e imitar as v?rias maneiras em que usamos nossa energia f?sica, enquanto os bailarinos remam, esquiam, correm e dan?am.

O cen?rio de Gringo Cardia ? surpreendente. No primeiro ato, v?-se um enorme molde para vestidos em preto e branco cobrindo o ch?o e o pano de fundo; uma roda gigante (de um parque de divers?o ou de uma gaiola de “hamster”?)domina o segundo ato. “Rota”, afirma Deborah, ? baseada em linhas, c?rculos e mapas.

A coreografia do segundo ato est? dividida em duas partes; a primeira acontece no meio de uma n?voa, onde a dan?a ? um devaneio e se inspira na aus?ncia de gravidade ou “no ambiente pr?prio dos astronautas”. Os bailarinos extraordinariamente fortes e flex?veis se movem com precis?o; numa seq??ncia lenta de saltos e balan?os. Alguns s?o uma clara referencia a acrobatas de circo, outros fazem lembrar a dan?a ilusionista de Pilobolus, quando as formas do corpo tomam conota??es estranhas.

Mas ? a parte final de “Rota” que realmente inflama o p?blico. ? simplesmente chamada de “Roda”, inspirada n?o s? num parque de divers?o (particularmente na Disney World) como na rota??o da Terra. A roda de seis metros e meio de di?metro, com escadas que servem de raios; se transforma num “playground” para os destemidos bailarinos de Deborah. Eles se agarram na fant?stica estrutura girat?ria que pesa uma tonelada e meia, com uma simplicidade de algu?m pegando um ?nibus. Eles passeiam pela roda em momentos de muito perigo, pendurando-se nas escadas e enroscando-se nos raios.

Mesmo abismado com tanta aud?cia atl?tica, ? poss?vel apreciar a graciosidade de seu estilo. O efeito ? estonteante, algo com um espl?ndido bal? que fez o p?blico vibrar de alegria na primeira noite. “Rota” talvez n?o possa falar muito sobre as credenciais de Deborah com core?grafa; para tal, ter?amos que ver mais dan?a e menos efeitos - mas, como divers?o, ela realmente atingiu seu objetivo.

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