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The Washington Post 07 de FEVEREIRO de 2001



The Washington Post
Washington, EUA
07/FEVEREIRO/2001
Por Sarah Kaufman

DANDO UM SALTO DO COTIDIANO PARA O EXTRAORDINÁRIO LEVANTANDO O TELHADO

Como diz o ditado, se pudéssemos levantar o telhado das casas comuns, teríamos as visões mais estranhas que poderíamos imaginar. Em “Casa”, a coreógrafa brasileira Deborah Colker levantou não somente o telhado mas a maior parte das paredes da casa de dois andares que dominou o palco do Eisenhower Theater a noite passada no Kennedy Center. E, céus, que visão tivemos.

Quinze dos dançarinos mais bonitos, mais bem treinados e disciplinados em ginástica que você poderia sonhar em colocar os olhos estavam tomando banho, fritando ovos, fazendo arrastando, inventando, saltando uma dúzia de pés no chão… Você sabe… coisas banais.

Após uma carreira em vôlei de praia, Colker formou sua Companhia de Dança Deborah Colker em 1994; agora é considerado um dos grupos de dança contemporânea mais populares do Brasil. Força atlética diáfana comanda muito de “Casa”, que fez sua première nos EUA a noite passada como parte do festival AmericArtes do Kennedy Center, mas possui inventividade visual e imaginação suficientes para torná-lo mais do que apenas uma rotina aeróbica de uma hora de duração.

A princípio, você é simplesmente cativado pelas mudanças e trocas seguras que acontecem num piscar de olhos: um bailarino curva-se sobre as costas de seu parceiro, depois ela está em seu ombro, depois ele salta levemente através do círculo de seus braços. Outros se lançam em pulos ou paradas de mão nos ombros dos outros bailarinos.

Logo a estrutura da própria casa entra no jogo - dois (e as vezes três) níveis de plataforma de madeira, com vários painéis e portas que se movem expandindo ou confinando o espaço. Não há caminho fácil para cima, para dentro ou para fora desta coisa. Os bailarinos escalam suas alturas em escadas estreitas, deslizam por mastros de bombeiros, se arremessam de suas plataformas ou pulam de barriga de um nível para o outro, pousando nos braços de seus colegas. As vezes “Casa” parece completamente impressionada com sua própria habilidade, mas exatamente quando você pensa que já havia visto todos os movimentos que os bailarinos têm dentro deles, eles o surpreendem. Nos impressionantes momentos finais, um homem agarra uma plataforma com a forma de uma ponte levadiça no momento que ela começa a levantar. Ele se deixa levar por uma mão, contorce-se e acena para seus amigos embaixo, continua a se segurar com uma das mãos enquanto a ponte o levanta, oh, vinte pés acima do palco. Ele coloca a outra mão de volta no exato momento que as luzes diminuem e ele é trazido para o topo.

Colker diz que seu trabalho é uma homenagem ao normal, e ela envia seus bailarinos através dos movimentos do dia comum. Parte disso é habilmente estilizado, como quando um grupo faz os gestos de quebrar, bater, derramar e fritar ovos em um balé harmonioso (realizado em sequência). Parte é surpreendentemente real, como quando uma mulher em um etéreo vestido vermelho pisa no que parece ser uma cascata de glitter prateado. Trata-se de água caindo, e ela fica de pé sob esta água, encharcando-se, por vários momentos maravilhosos.

A trilha sonora, creditada a Berna Ceppas, Alexandre Kassin e Sérgio Mekler, é tão essencial quanto as portas e dobradiças para criar esta casa. Ela corre livremente de ‘blips’ contemplativos para batidas congestionadas, altos guinchos e murmurinhos deslizantes. Há até mesmo um pouco de floresta tropical. Ao longo de “Casa”, Colker brinca com noções de abrigo - as paredes e pisos podem protegerassim como tornar-se uma armadilha -e também com idéias sobre subir e descer. Mas ela foge de chegar muito perto dos nervos - uma vez que coloca seus corpos em movimento, ela não examina suas ações, portanto a peça não vai além da superfície. Quando uma mulher bate uma porta na cara de um homem, e depois a abre com a mesma brusca rudeza, não temos acesso as suas razões. Os bailarinos mantém sua atmosfera um tanto maníaca e impulsiva através da noite, estejam eles brincando ou brigando. Aprendemos algo sobre nossas naturezas essenciais? Não, mas certamente podemos reconhecer partes de nós mesmos a medida que as apresentações avançam. E maravilhar-nos com a maneira que eles o fazem.

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