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Thringer Allgemeine - Cultura 06 de JUNHO de 1998



Th?ringer Allgemeine - Cultura
Weimar, Alemanha
06/JUNHO/1998
Por Dr. Ursula Mielke

FLUTUAR NOS LIMITES DO CORPO

Fascinante: Companhia de Dan?a Deborah Colker do Rio de Janeiro

? sa?da do Viehauktioshalle enfileirava-se tamb?m junto aos espectadores uma pergunta que deve t?-los acompanhado no caminho de casa: O que era aquilo, afinal? Bal? ou acrobacia? Ou ainda, se ? que se pode dizer isto, seria uma dan?a de adestramento? De qualquer jeito, tratava-se da performance da Companhia de Dan?a Deborah Colker do Rio de Janeiro. A pergunta, se se tratava ent?o de teatro de dan?a, circo coreografado ou bal?, parece n?o ter resposta.

Contudo, o espet?culo Rota ? n?o s? compreens?vel como tamb?m brilhante e arrebatador, em sua forma em duas partes ao longo de uma colagem musical composta de cl?ssicos e modernos. A partir de um padr?o que lembra um molde de costura ou tric? como cen?rio na primeira parte, um entrela?amento de linhas indica uma orienta??o. Os bailarinos se entregam com entusiasmo quase infantil a um jogo que est? al?m deste mundo, e que os leva ? cria??o de formas que inspira movimentos de gin?stica. Numa perfeita execu??o da queda livre e de um ‘ostinato’ que concilia gravidade e liberdade, os artistas voam sobre o palco. Alongam-se e encolhem-se com elasticidade. O f?sico depara-se nos limites de sua sublima??o.

Na primeira parte, a Companhia de Dan?a se apresentou como um grupo de atletas. Ap?s o intervalo, vieram como artistas de circo sobre uma roda gigante que fascinou o p?blico. As dimens?es do espa?o adquiriram, assim, um peso ainda mais forte atrav?s do efeito de imponderabilidade. Suave e fluentemente, envoltos em n?voa e esplendidamente iluminados, os bailarinos circularam no universo, fazendo-nos esquecer que ele existia. Talvez seja esse o segredo do seu encanto junto ao p?blico.

Assim como o tempo exige a ocorr?ncia e a perfei??o, respons?vel apenas por si mesmo em total liberdade de a??o e sem compromissos sociais, este teatro de dan?a convida ao puro prazer est?tico. O f?sico capaz e a t?cnica absoluta dominam a cena vaidosamente. Aqui, encontra-se, de maneira curiosa, o paralelo mais evidente com o cotidiano mais ordin?rio. Se tudo funciona, ficam todos contentes. S? n?o vale errar o apoio e cair da roda viva. Se acontecer, levanta-se num pulo e mant?m-se o equil?brio, ‘dando uma volta’ na gravidade.

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