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Times 2 27 de ABRIL de 2006



Times 2 Londres, Reino Unido 27/ABRIL/2006 Por Donald Hutera

Deborah Colker - Barbican ***** [quatro estrelas]

s 16 membros da companhia homônima da Deborah Colker podem muito bem ser os dançarinos mais desejáveis atualmente no Reino Unido. Ou será simplesmente a natureza do novo espetáculo desta coreógrafa brasileira que os fazem assim parecer? O tema principal de “NÓ”, que estreou uma substancial turnê britânica esta semana, é o desejo, tanto afetivo quanto sexual. A pesquisa da companhia incluiu assistir a palestras de filosofia e observar a privadas sess?es de bondage. O distrito dos inferninhos de Amsterd? foi uma fonte adicional de inspira??o para Colker e para o brilhante designer Gringo C?rdia.

?N?? ? dividido em duas metades complementares. A pe?a central do Primeiro Ato ? um conglomerado central de 120 cordas. Os dan?arinos em si subseq?entemente separam as cordas para criar uma floresta. Neste fascinante ambiente metaf?rico, eles brincam s?brios jogos de domina??o e submiss?o, ao som de uma trilha variada que abrange ritmos quentes, harpas, o canto de p?ssaros e Ravel.

A sensa??o de estranhamento e mist?rio sadomasoquista d? lugar a impulsos mais claramente exibicionistas e ao voyeurismo no Segundo Ato. Cunhas brancas e rubras emolduram uma grande caixa transparente, cada canto aparelhado com aros que s?o degraus e um poste ao alto. O elenco extraordinariamente ?gil da Colker salta e forma pares para dentro e para fora desta estrutura simples e sugestiva. Seus movimentos s?o r?pidos e precisos, conforme o clima se acalma num momento rom?ntico e entregue. Aqui a trilha ? uma sele??o sedutora de relaxante jazz cool e l?rico, pontilhado com m?sica eletr? nica.

Alguns dos detalhes da produ??o s?o cativantes e bem- bolados. Na parta das cordas, duas mulheres escorrem por dentro e ao redor de uma grossa cascata de cabelo em dreadlocks de uma Rapunzel oculta. Tr?s mulheres saltitam e fazem piruetas dentro da caixa com negras sapatilhas de ponta, o derradeiro objeto de fetiche do mundo da dan?a. Os perspicazes figurinos, que escondem revelando a pele, t?m suti?s e cal?as cor-de-pele acentuados por falsos tapa-sexos e shorts vermelhos com babados.

O estilo visual do trabalho est? ligado de perto ?s inven?? es cin?ticas altamente disciplinadas da Colker. Sim, ela e seus colaboradores poderiam ter se aventurado em terreno mais suado e cru, mais abertamente pornogr?fico. Por?m, sem apelar para baixarias ou uma vulgaridade ofegante, ?N?? consegue penetrar a fundo no seu tema.

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