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Newsday 18 de FEVEREIRO de 2000



Newsday
Nova Yorque, EUA
18/FEVEREIRO/2000
Por Sylviane Gold

O CRIATIVO CAOS DA COMPANHIA

H? linhas negras e moldes tomando os mais diversos caminhos no palco de "Rota" que come?ou quarta-feira ? noite no Joyce Theater. E haver? mais filas nas proximidades da bilheteria neste fim de semana.

O p?blico, que ficou nitidamente encantado na "premiere" da Companhia de Dan?a Deborah Colker do Brasil, n?o conseguiu parar de aplaudir o incrivelmente divertido e misteriosamente lindo trabalho de extrema teatralidade.

O cen?rio com linhas ? baseado em moldes para fazer vestido, mas eles parecem mapear um territ?rio ca?tico inexistente. Assim, quando duas bailarinas usando botas de cano curto e saias rodadas se empertigam em suas an?guas e saltam no palco em vibrantes movimentos ao som da sonata de Mozart, as contradi??es come?am a se multiplicar.

A mistura de passos tradicionais de ballet e suas vers?es r?pidas com gestos rotineiros do tipo: alisar os cabelos, dar tapas no rosto ou puxar o queixo para abrir a boca, fazem com que os bailarinos pare?am pertencer a uma casa de divers?es, construindo e desconstruindo a dan?a a um s? tempo. Quando o resto da companhia se junta a eles, os movimentos come?am a ser mais mec?nicos, menos graciosos e a m?sica muda de Mozart para Squarepusher e Chemical Brothers. Mas, quando as quatro partes do movimentado primeiro ato termina, os surpreendentes bailarinos j? se jogaram no ch?o, no ar e na mente da espectador.

Quando voltam no segundo ato, aquela vigorosa energia se transforma num sonho lento. Eles, que haviam sido arremessados e jogados em movimentos fortes, agora levantam as pernas e bra?os como se estivessem deslizando em merc?rio. No segundo ato, vestem roupas justas de ballet que p?em ? mostra o esfor?o de cada m?sculo, quando seus corpos se empurram uns contra os outros em ?ngulos que desafiam a lei da gravidade. Outros fazem movimentos mec?nicos, tanques humanos que lutam continuamente contra o peso do mundo.

Depois vem a roda. ? mostrada na segunda parte como se a planta do primeiro ato tivesse se materializado em uma geometria s?lida e ordenada. Uma gigantesca amplia??o da roda, usada como acess?rio em gaiolas de hamsters, ? ladeada por escadas de metal. Os cen?rios para os dois atos s?o o trabalho brilhante de Gringo Cardia; o figurino de primeira ? de Yam? Reis e a extraordin?ria ilumina??o ? de Jorginho de Carvalho.

Quando os bailarinos pulam na roda para coloc?-la em movimento, algumas vezes somente um, outras vezes em grupos, o giro hipn?tico da roda ? acompanhado pelos rodopios hipn?ticos dos bailarinos no ch?o.

A imagem deslumbrante ? ao final: oito bailarinos se penduram nos raios da roda (em posi??o fetal) enquanto ela gira continuamente; ? uma poesia que ecoa pela noite a dentro.

Toda dan?a, desde o Lago dos Cisnes ?s conhecidas Rockettes, ? fundamentalmente sobre gravidade, mas em "Rota", Deborah Colker teve a habilidade de colocar a gravidade e a leviandade palp?veis no palco. N?o percam!

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