The Daily Telegraph 20 de JULHO de 2000
The Daily Telegraph
Londres, Inglaterra
20/JULHO/2000
Por Ismene Brown
EMOÇÕES BRASILEIRAS QUANDO O ESPORTE SE TRANSFORMA EM ARTE
Uau! Imagine uma enorme parede azul-turquesa e abóbora. Homens e mulheres sobem e descem e andam de lado nela mais rápido do que a maior parte de n?s o faz no pr?prio ch?o. Imagine que n?o existe gravidade, e que a humanidade se transformou numa nova esp?cie de moscas na parede.
Deborah Colker ? a core?grafa brasileira que deu o que falar em Londres, ano passado, com sua gigantesca roda de hamster no Sadler’s Wells, a qual seus acrob?ticos bailarinos tratavam exatamente como se eles fossem hamsters, sem peso corporal e sem medo algum.
Sua volta traz mais uma engenhoca fenomenal, e novamente ela nos deixa boquiabertos, pelo menos com a pe?a final, Alpinismo, (que sobrepuja tudo o que acontece antes). Sempre se imaginou que ginastas de primeira linha pudessem - se cuidadosamente re-imaginado - apresentar algo t?o gracioso como isto. Mas ? um suspense que s? poderia ser criado nesta ?poca, com sua obsess?o pelo esporte e forma f?sica.
Colker, de sangue russo-judeu, ? uma loura p?lida de 40 anos, que jogou v?lei antes de entrar na dan?a. Este tipo de aud?cia esportiva ? o que ativa sua imagina??o. Seus 14 bailarinos s?o atletas e ginastas excepcionais, por?m mais que isso, s?o verdadeiros artistas.
Mix tem sete se??es em duas partes, todas derivadas de espet?culos anteriores, e voc? pode ver, a partir da abertura excessivamente cuidadosa (uma ?gil por?m levemente entediante rotina de gin?stica) como a imagina??o de Colker precisava se libertar das previsibilidades do esporte.
E de repente vemos a imagina??o l?rica que est? enterrada bem fundo em Colker. Paix?o ?, coreograficamente, a melhor parte de todo o espet?culo, uma intensa, bela, divertida celebra??o de como o amor pode dar errado, que parece transformar o mundo numa gigantesca cama branca desarrumada, e o ar num medley de can??es de amor. Pares de amantes, de pijamas e camisolas brancas, rolam e brigam e se abra?am, as emo??es delirantes e facilmente leg?veis em suas maravilhosamente acrob?ticas atividades.
Os grandes crooners de nossa ?poca - de Barry White a Elvis Presley a Nina Simone a Maria Callas - ganham alguns acordes cada um, interrompendo-se mutuamente, como se cada grande paix?o possa ser seguida por outra igualmente grande. Voc? sorri e depois suspira ao emocionado romance do fim, com duas garotas sozinhas e de ponta cabe?a, pernas e traseiros apontando para cima, ouvidos grudados no ch?o, como se ouvindo as passadas dos amantes que se foram, enquanto uma vis?o do Pr?ncipe Encantado aparece sobre suas cabe?as.
Ent?o, depois do intervalo, h? rotinas de base mais atl? tica, que crescem at? o estupendo final na parede. Vemos mais destes estranhos e acrobaticamente inventados equil?brios e apoios, erup??es de "bananeiras", backflips,"peixinhos" e abdominais turbinadas que, de certo modo, t?m tanta import?ncia quanto os jet?s e piruetas do ballet.
Se isto ? uma forma art?stica de esporte ou uma esportiva forma de arte pouco importa, quando somos entretidos desta maneira.






