The Guardian 22 de JULHO de 2000
The Guardian
Londres, Inglaterra
22/JULHO/2000
Por Keith Watson
VOCÊ É MINHA PAREDE DA SALVAÇÃO
Os bailarinos de Deborah Colker tem de ter cabeça para alturas, diz Keith Watson
Ao lhe perguntarem quem eram seus seis bailarinos preferidos, a core?grafa brasileira Deborah Colker montou uma lista que inclui Pel?, Michael Jackson e Bruce Lee. Baseado na for?a de Mix, o show mais recente que ela trouxe a Londres, ? um pouco surpreendente que Chris Bonnington n?o tenha entrado, em algum lugar.
Deborah claramente n?o tem problemas com altura. Da ?ltima vez, em Rota, ela fez seus bailarinos girarem como hamsters de alta costura numa roda-gigante. Agora temos Mix, uma mistura ecl?tica de trabalhos anteriores, no Barbican esta semana. O cl?max tem o elenco correndo para cima e para baixo numa parede vertical, com a firmeza de passo de cabras montesas. Vertigem ? um conceito que Deborah n?o conhece.
? emocionante, coisas de tirar o f?lego, o tipo de adrenalina que associamos aos momentos em que a linha entre o esporte (ok, talvez n?o o esporte brit?nico) e a arte desaparece, e temos um momento de pura beleza f?sica. Esse tipo de momento de sonho ? o que Deborah est? sempre buscando em sua dan?a. E, quando seus bailarinos est?o quicando e girando agilmente pela parede do precip?cio, suas silhuetas delineadas por um gigantesco sol alaranjado, ela chega bem perto. Combinando a aud?cia de mergulhadores de penhascos com a simetria muscular de ginastas, Colker est? l? no alto, a n?vel ol?mpico, dando tudo de si pelo ouro. Ficamos meio que esperando ju?zes levantando placas de pontua??o no final.
Todas estas refer?ncias esportivas n?o aparecem por acaso. Deborah, formada em Psicologia, dividiu sua juventude entre o v?lei (ela fez parte do time da cidade, e o Brasil ? um dos grandes neste esporte) e o bal? antes de enveredar pela dan?a contempor?nea, aos 18 anos de idade. O ideal de atletismo est?tico, como incorporado por seus bailarinos, ? a for?a motriz que dirige seu trabalho.
? mais evidente nas partes de solo, tiradas de Velox, seu segundo trabalho para sua companhia, e o que foi diretamente inspirado na din?mica do esporte. Toda a prepara??o e embelezamento de atletas (quando voc? ? assim t?o bom, o narcisismo ? um mero acess?rio) ? moldada numa rotina calist?nica que se transforma na aula de aer?bica mais chique que voc? j? viu.
Com o olhar astuto de um anatomista, Deborah se diverte desconstruindo a mec?nica da a??o f?sica humana, para chegar ? raiz de como fazemos as coisas que fazemos. V? em-se ecos dos estudos fotogr?ficos pioneiros de Eadweard Muybridge (o sung?o substitu?do por trajes esportivos do s?culo 21), mas isto n?o ? mero exerc?cio acad?mico, pois no topo da agenda de Deborah existe a clara consci?ncia da necessidade de entreter.
Em nenhum momento isto ? mais evidente que em Paix?o, um tributo divertidamente bizarro ao dueto de amor, que prova que Deborah n?o ? artista de uma obra s?. Ao som de uma trilha de exc?ntricas compila??es, corremos nervosamente de m?sica a m?sica (alguns acordes de Love To Love You Babe, de Donna Summer, entram em um pedacinho de Ben, de Michael Jackson; tente desvendar isto), ocasionalmente relaxando o bastante para deixar um peda?o tocar por inteiro. O efeito ? como uma "jukebox" de fantasia, o palco e os bailarinos banhados por um enevoado crep?sculo amarelo ? medida que a a??o encena cada fase do jogo de amor, do aquecimento antes do jogo ao cl?max do resultado final, incluindo todas trapalhadas e nervosismo que acontecem no meio. Exceto que apenas em sonhos n?s ser?amos t?o ?geis e flex?veis.






