The Times 21 de JULHO de 2000
The Times
Londres, Inglaterra
21/JULHO/2000
Por Donald Hutera
TÍTICAS DE BRAÇOS FORTES
Dança: O Mix de Deborah Colker no Barbican, no final das contas oferece mais força que cérebro
Enormemente popular em seu pr?prio pa?s, a companhia, hom?nima, da core?grafa brasileira Deborah Colker espantou as plat?ias londrinas ano passado, com Rota. Este atraente entretenimento culminava com os bailarinos rodando como belos e alegres hamsters numa gigantesca roda.
Agora eles voltaram ao Reino Unido num peda?o anterior de espet?culo de movimento ? la Colker. Estreado em 1996, Mix estar? no Barbican Centre at? amanh?, como parte tanto da temporada BITE:00 como do festival Brasil:Brazil. Combina excertos de dois espet?culos anteriores de Deborah, Vulc?o e Velox.
A noite ? dividida em se??es com t?tulos simb?licos como M?quinas, Desfile e Paix?o. Inicialmente bailarinos com peitorais brancos engatinham e caminham a passos largos em precisas forma??es de grupo. Uma unidade de mulheres brevemente cobre os seios, depois cobre o rosto com as m?os. Mas as a??es s?o mec?nicas, n?o emocionais. Um homem (Rico Ozon) d? um backflip com leveza circular. Outro (o "capeta" Jefferson Antonio, uma atra??o extra numa equipe altamente treinada e de grande beleza muscular) se move de modo rob?tico. O tom geral ? de gin?stica, uma gra?a quase gladiadora mantida sob controle.
O epis?dio subseq?ente, Desfile, ? cheio de ironia. Imagine uma passarela instalada no s?t?o de Alice no Pa?s das Maravilhas. Cercados por tr?s enormes cadeiras, um punhado de bailarinos em crinolinas pretas e cal?as xadrez vazadas fazem pose e desfilam. Um cansa?o "muderno" e uma sexualidade do tipo vem-c?-meu-bem se op?em a hiper-gesticula??es e r?pidas passadas, pulinhos ou quadris balou?antes. O efeito ? r?-r? engra? ado e peculiar.
A seguir, a trilha sonora muda de samba eletr?nico para um medley de sucessos pop de cantores como Stevie Wonder, Donnar Summer e Lou Reed. O palco est? encharcado de tons ?mbar e rubi. O fundo ? um len?ol epicamente amassado. Abaixo dele, casais se apressam em corridas circulares, correm e pulam uns nos outros, caem para dentro e fora de levantadas e estonteantes giradas. A pr?pria Colker ? carregada para o palco jogada sobre o ombro de Jefferson, como uma pele de homem das cavernas. Mas as mulheres, fortes como o a?o em suas esvoa?antes camisolas, devolvem t?o bem como recebem.
Colker ativa clich?s com conhecimento. Sua vis?o clara da divis?o e desejo heterossexuais carrega uma esperta mensagem. N?o ? tudo discuss?o do tipo guerra-dos-sexos. Ser? que todos n?s, bobos, n?o ficamos um dia perplexos com um r?pido e quente beijo, ou derrubados por gigantescas ondas de emo??o?
Na segunda parte, Colker continua a examinar o que ela chama de "a geometria e a f?sica do movimento". H? calma e velocidade, cuidadosos equil?brios, e um excesso de gestos cotidianos, bem humorados, temperados com frustra??o. O ponto culminante ? Alpinismo, onde o elenco, supremamente ?gil, escala e balan?a acima, abaixo e atrav?s de uma vasta parede cheia de agarras.
De imagens v?vidas, Mix n?o cont?m cantos ou profundidades escondidas. Sua identidade est? na justaposi??o dos peda?os. Colker coloca tanta informa??o que reparamos mais nos ocasionais momentos onde a atividade se reduz ao b?sico. A apresenta??o n?o ? nem t?o homog?nea quanto totalmente "gost?vel" quanto Rota, nem nos eleva ?s mesmas vertiginosas alturas.
Por?m como base para produ??es posteriores, mais coesas, Mix ? claramente cerebral sob suas superf?cies brilhantes.






