Jornal: Neue Presse Hannover
Data: quinta-feira, 28/maio/2009
Seção: pg. 26
Autor: Henning Queren
Título original: Tanz die Liebe, tanz das Messer, tanz den Tod
DANCE O AMOR, DANCE A FACA, DANCE A MORTE
Final quente nos Movimentos na Autostadt com a Companhia de Dança brasileira
Vigoroso, de suar e altamente erótico: para o encerramento do Movimentos deste ano a brasileira Companhia de Dança Deborah Colker dançou na Autostadt.
Wolfsburg. O belo e o cruel às vezes se deitam perigosamente perto um do outro. A bailarina é maravilhosa – plenamente em forma e que corpo –, com duas facas brilhantes e reluzentes nas mãos, poderosas facas de trinchar para uma dança bastante impressionante sobre amor e morte perante um palco vermelho-sangue, do qual não é bom se aproximar demais.
Ponto alto de uma coreografia que tanto faz suar (inclusive o espectador) quanto é erótica, e vindo, claro, do Brasil. “Cruel” (cruel) é o nome do espetáculo de uma hora e meia da Companhia de Dança Deborah Colker, que começa com um “Baile”, que serve para apresentar toda a equipe de maneira dançante. Além do afiado ataque de facas, um musculoso pas-de-deux masculino se sobressai. Muitas pequenas histórias de relacionamento dançadas, e que sempre se entrelaçam entre si, nisso Deborah Colker é boa.
Com isto combina bem o mix musical, bastante turbulento, ali sobre a suave serenata de cordas de Dvorak são sobrepostos zangados acordes eletrônicos de baixo, lá se remixa friamente Ennio Morricone e Ryuichi Sakamoto, e se empurra para a platéia sons de refeição em alto volume, enquanto os adereços se movem.
Ao som desta trilha sonora picadinha, a coreógrafa-estrela é bem sucedida em imagens e seqüências de movimentos impressionantes, se bem que do ponto de vista da linguagem de dança ficam comparativamente convencionais – um pouco de neoclássico, uma boa dose de dança jazzística, de musicais. Mas isso não tem de ser necessariamente ruim, quando é tão eficaz como aqui.
Como a segunda parte, onde placas de aço espelhadas e com rodas produzem efeitos extravagantes. Quando os bailarinos, em seus reflexos, parecem estar presos num aquário. Ao final a bailarina caminha para o fundo do palco, espelhada quatro vezes, em direção a uma negra infinidade. Da trilha soam reconciliadores os “Untitled Strings” de Berna Creppa.
Aplauso abundante, e o público do Movimento comemora com ovações de pé não apenas a paixão dançada como o bem sucedido encerramento das semanas do festival.






