Apoio: Ministério da Cultura
<< Voltar

Jornal: Süddeutsche Zeitung



Data: quinta-feira, 28/maio/2009
Seção: Feuilleton, pg. 13
Autora: Dorion Weickmann
Título original: Heute? Super, super, super!

HOJE? DEMAIS, DEMAIS, DEMAIS!
Campeonato de dança em Wolfsburg: “Cruel” de Deborah Colker no Festival “Movimentos”

(NT: 1° parágrafo: analogias futebolísticas e o comentário do título, emitido pelo jogador Grafite após a vitória do seu time, de Wolfsburg. 2° parágrafo: comentários sobre o festival e o acerto dos prêmios entregues. 3° e 4° parágrafos: crítica negativa sobre o espetáculo da Inbal Pinto & Avshalom Pollak Dance Company de Tel Aviv, uma confusão e indefinição de músicas e estilos. O texto sobre a CDDC começa após o subtítulo “Immer schön am “Ball” bleiben”. Com direito a trocadilho entre bola, Ball, e baile, Ball também.)

Ficar sempre bem no baile
Deborah Colker, em comparação, tem uma idéia eletrizante, um conceito vivaz e uma execução decidida. “Cruel”, apresentada em Wolfsburg em estréia européia, se divide em três partes, que expõem abertamente os espaços de encontro público, privado e íntimo. Sob uma bola de flores em filigrana, que lembra os legendários designs Rosenthal de Björn Winbald (pintor e ceramista dinamarquês, falecido em 2006. Rosenthal é uma fábrica de louça para a qual ele trabalhou), sete homens e oito mulheres se encontram. Também Colker escolhe para este “baile” registros musicais de quatro séculos, mas sua maneira de contar a história cruza o lugar-comum auditivo e visual, porque o passado colide precisamente com o contemporâneo. Assim suas bailarinas se equilibram no salto alto sobre os campos minados da dança padrão com seus movimentos antiquados e poses envernizadas, enquanto sons de Vivaldi evocam uma dança-mania barroca e ao mesmo tempo desmascaram o idioma perfeito da dança de salão de competição como teatro sexual ressequido.
Nuvens se assomam com a velocidade do vento: como cisnezinhos afugentados por Mats Eks (NT: Coreógrafo sueco) as mulheres se juntam todas, assim que o assunto chega às roupas íntimas. Suas pernas nuas se transformam em floretes e atiram de flexões na altura do joelho, as mãos abanam qualquer excitação para longe, e as cabeças se abaixam sob o excesso de testosterona. O que começou pouco maravilhoso no “baile”, continua na mesa superdimensionada da “Família”, que tem de servir tanto de passarela libidinosa como de sala de esgrima para lutas de casais. Os bailarinos de Colker esgrimam aqui com um tempo de precisão absoluta, e traduzem sentimentos altamente inflamados em energia de movimento tão extática quanto destruidora. Na sala de espelhos da “Revelação” os guerreiros das rosas se dispersam de vez e definham como desesperados narcisísticos, que reduzem até o coito a um ato solitário: enquanto os quadris se empurram através de escotilhas nas paredes de espelhos, cada um vê apenas – seu próprio rosto.
O público de Wolfsburg celebrou a companhia d Deborah Colker com ovações. Na usina não chegaram a balançar bandeirinhas brasileiras como na VW-Arena. Mas o nível de decibéis dos fãs de futebol com certeza foi atingido.

  • Digg
  • Sphinn
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Mixx
  • Google
  • TwitThis