SOBRE AS CENAS
E OS ESPETÁCULOS
por ordem de aparição em “Remix”
“Paixão”, do espetáculo “Vulcão” (1994), foi extraída do primeiríssimo trabalho da Companhia de Dança Deborah Colker. A coreografia não é sobre o amor. É sobre situações que revelam o ímpeto, o fascínio e o descontrole, oscilando entre o sublime e o patético.
A temperatura se mantém elevada com a cena “Delírios” de “Belle” (2014), espetáculo livremente inspirado no romance “Belle de Jour” (1928), de Joseph Kessel, e no filme “A Bela da Tarde” (1967), de Luís Buñuel. Em seus sonhos, a recatada personagem Séverine trava um duelo entre a razão e o instinto, encontrando seu alter ego, a libidinosa Belle.
A atmosfera onde pairam o sublime e a tensão tem sequência nas cenas originadas no espetáculo “4x4” (2002). “As Meninas” dançam ao som de uma sonata de Mozart, tocada ao vivo em piano no palco, anunciando o começo de uma das coreografias mais icônicas da Companhia. Em “Vasos”, bailarinos dançam alternando velocidade e delicadeza, fechando o primeiro ato de ‘’Remix”.
Após o intervalo, o segundo ato de “Remix” é composto por duas cenas do espetáculo “Rota” (1997). “Gravidade” instaura um outro estado de espírito e uma outra condição física, onde o desequilíbrio se torna uma busca pelo equilíbrio.
O encerramento de “Remix” fica por conta da “Roda”, uma coreografia sobre a ocupação e exploração do espaço. A roda gigante também é uma referência lúdica ao brinquedo do parque de diversões e ao fluxo do nosso planeta, que gira constantemente para garantir a continuidade da vida.



