DIREÇÃO
MUSICAL
Jorge Dü Peixe não tem dúvidas de que O cão sem plumas, o poema, é tão regional quanto universal. O músico sabe o que diz: expoente do movimento mangue beat, tem passado as últimas três décadas mesclando Pernambuco e o mundo, tradição e tecnologia. Integrante da Nação Zumbi desde o início, em 1991, ele assumiu também os vocais após a morte de Chico Science, em 1997.
"João Cabral é um ponto muito alto de Pernambuco. Foi um visionário. Escreveu o poema em Barcelona, mas tinha levado Recife com ele, incrustado."
Para a trilha de Cão sem plumas, Jorge gravou versos e criou frases melódicas para trechos do poema. No estúdio, tocou vários instrumentos. Explorou coco, maracatu, mas também sonoridades não vinculadas a Pernambuco. O resultado é universal, ainda mais quando combinado à dança e ao cinema.
"É uma grande ópera da lama, do rio. Uma ópera ácida como as palavras certeiras de João Cabral."
Outra voz que se ouve no espetáculo é a de Lirinha, poeta, ator, compositor e que se destacou como cantor da banda Cordel do Fogo Encantado. Ele é de Arcoverde, onde a música tradicional é o coco. Louise Taynã, filha de Chico Science, participa recitando versos em inglês.
O carioca Berna Ceppas trabalha com Deborah Colker desde o primeiro espetáculo da companhia. Na nova parceria, utiliza recursos eletrônicos, como de hábito, mas afinados com as sonoridades pernambucanas. Ele produziu o CD Nação Zumbi, lançado pela banda em 2014.





