Por
JOÃO ELIAS
Deborah Colker decidiu montar sua própria companhia, em 1993, ao lado de João Elias. Mais do que uma relação entre artista e diretor executivo, é uma parceria de criação, marcada por mergulhos fundos de uma dupla apaixonada pelo que faz.
Para João Elias, participar ativamente da trajetória permite a ele traçar um panorama que começa em Vulcão (1994) e chega até Cura.
No começo de sua Companhia, Deborah buscou em suas criações, além da plasticidade, a ocupação de espaços: uma identidade física e sempre de muito vigor,o que, aliás, mantém em toda a sua trajetória até os dias atuais; mas foi abrindo gavetas emocionais e ampliando sua voz, desaguando em “Cão sem Plumas”, numa fala pujante, despida de adereços, e também reforçada de plasticidade e de pequenos,s porém eloquentes gestos daquela gente e da natureza. Em Cura, Deborah se expõe mais. Como diz Nilton Bonder, já não é mais uma fala, é um grito. Eu me sinto honrado de ter participado destse processo – afirma.
O grande sucesso dos primeiros espetáculos, como Velox (e sua parede de alpinismo) e Rota (e sua roda-gigante), provocou em Deborah e João o desafio de nunca se repetir, de sempre buscar empreitadas mais difíceis dos pontos de vista estético e de produção.
João integrou grupos de teatro nos anos 1970, herdeiros de históricas companhias, como Arena, Oficina e TBC (Teatro Brasileiro de Comédia). Por isso, destaca a importância dos trabalhos coletivos. Em Cão sem plumas, organizou a ida de bailarinos, coreógrafa e equipe técnica para uma imersão de 24 dias em Pernambuco, vivenciando o universo do poema de João Cabral de Melo Neto. Em Cura, houve uma temporada de aprendizado na Bahia e a semana que ele e Deborah passaram em Moçambique.
Ao longo dos ensaios, chamamos para conversar com a gente pesquisadores, cientistas, representantes de diversas religiões e tivemos sempre o Nilton Bonder ao lado. O objetivo é aprofundar, como as companhias de teatro faziam no passado. É algo que a vida moderna não nos dá tempo de fazer. Mas é isso que nos transforma – ressalta.
Ele diz que a TV foi sua principal escola. Fez produções jornalísticas para Globo Repórter e outros programas. Depois, participou do Programa legal, dirigido por Guel Arraes. Criou a J.E. Produções em 1992 e a Giros Produções, com Belisario Franca, em 1997. Desde 2000, dedica-se exclusivamente à Cia de Dança Deborah Colker.



